Guerra eleva petróleo e ameaça preço do combustível em SC
Se a cotação global do petróleo permanecer alta por um período prolongado, a Petrobrás será forçada a realizar reajustes para evitar prejuízos.
O fechamento do Estreito de Ormuz devido à guerra entre Estados Unidos e Irã fez o barril de petróleo ultrapassar os US$ 100 no mercado internacional nesta semana. O cenário de conflito no Oriente Médio restringe a oferta global da matéria-prima e já acende um alerta em Santa Catarina sobre o provável aumento nos preços da gasolina, do diesel e dos fretes para a indústria e o agronegócio.
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Apesar da alta global, o impacto nos postos catarinenses e brasileiros ainda é discreto. Entre o fim de fevereiro e a primeira semana de março, o preço médio nacional da gasolina sofreu um leve reajuste de R$ 6,28 para R$ 6,30, enquanto o diesel passou de R$ 6,03 para R$ 6,08.
Essa estabilidade momentânea acontece porque a Petrobras alterou sua forma de calcular os preços em 2023. A empresa deixou de repassar de forma imediata as oscilações do mercado externo para o consumidor, absorvendo parte do choque internacional para evitar aumentos bruscos nas bombas.
Limites para a estabilidade
Apesar dessa proteção inicial, especialistas do setor alertam que a estratégia da petroleira tem um limite técnico e financeiro. Se a cotação global do petróleo permanecer alta por um período prolongado, a estatal será forçada a realizar reajustes para evitar prejuízos em suas operações.
Outro ponto de tensão é a dependência da importação de combustíveis, com destaque para o diesel, essencial para a frota de transporte e para as safras agrícolas de Santa Catarina. Se o valor cobrado no Brasil ficar muito abaixo do praticado no exterior, as empresas estrangeiras deixam de vender para o país, criando risco de desabastecimento.
Essa insegurança afeta diretamente toda a economia local. Como o petróleo é negociado em dólar, o aumento da cotação encarece a logística como um todo. Quando o diesel sobe, o custo do frete dispara, o que eleva rapidamente o preço de produtos e serviços que chegam aos consumidores catarinenses.
A composição do valor final
O custo do petróleo nas refinarias é apenas um dos elementos que formam o valor pago pelos motoristas. No caso da gasolina, a parcela que cabe à Petrobras representa cerca de 28,7% do custo total, o que equivale a R$ 1,81 do preço médio atual.
A maior parte do valor registrado nas bombas é composta por impostos federais e estaduais, além da adição obrigatória de biocombustíveis e dos custos das distribuidoras e revendedoras para transportar e comercializar o produto.
Já no diesel, o peso do cenário internacional é mais agressivo. A fatia da estatal no preço final da bomba chega a 46%, custando cerca de R$ 2,80 por litro. Por enquanto, o mercado aguarda a estabilização do conflito no Oriente Médio, enquanto a Petrobras segura os preços antes de confirmar novos reajustes.
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